Não estava planejado...

Quando alguém pensa em ter filhos imediatamente inicia-se um planejamento. Enquanto o bebê se desenvolve, a família toda começa a imaginar se parecerá com a mãe ou com o pai ou se os olhos serão castanhos ou verdes. Mas, quase nunca imagina-se que ele terá uma deficiência. E quando isso acontece, inevitavelmente inicia-se um processo de LUTO. O Bebê planejado não chegou, e isso é uma grande perda para a família. Esse processo pode ser doloroso e muito demorado, e necessariamente precisa passar por etapas marcantes, até chegar no momento de ACEITAÇÃO. Durante o processo, o que nós, terapeutas, podemos fazer para ajudar a família? Infelizmente não existe uma receita pronta para isso, mas, cabe a nós ao menos identificar a fase que cada familiar se encontra e acolhê-los da melhor maneira possível. É comum, por exemplo, a mãe estar passando por uma fase e o pai por outra, e isso pode dificultar a relação do casal naquele momento. É importante saber também que não existe uma ordem para as fases, e elas podem ir e vir. A NEGAÇÃO é muito frequente, e surge pela dificuldade em acreditar que de fato aquilo aconteceu. Na prática, as famílias podem nos trazer avanços exagerados do tratamento, melhora repentina do sintoma ou até ausência de dificuldades com a criança. A RAIVA surge quando ocorre a percepção real do fato e que isso não tem como mudar. É comum surgir um culpado, e por vezes as famílias nos questionam o porque daquilo ter acontecido justamente com eles. Na fase de NEGOCIAÇÃO, as famílias tentam aliviar a dor fazendo algumas ponderações e imaginando possíveis soluções. Essa negociação acontece dentro da própria pessoa e, muitas vezes, está relacionado com a fé. A "DEPRESSÃO" é geralmente a fase mais intensa do processo, pode ser entendida como um estado depressivo, e não necessariamente ter o diagnóstico da doença. É marcada pela sensação de impotência, culpa e desesperança, podendo surgir a vontade de se isolar socialmente. E finalmente, quando todo esse processo é vivenciado, as famílias começam a ter uma visão mais realista dos fatos. O desespero começa dar lugar a novas perspectivas de futuro. É comum ouvirmos: "O que podemos fazer para ele se desenvolver da melhor maneira possível?”. As questões práticas abrem caminho para o acolhimento desse novo bebê. Está tudo bem pensar que ele nunca será “aquele" bebê planejado, mas esse novo indivíduo terá outras caraterísticas, qualidades e perspectivas. E nós, terapeutas, podemos mostrar para as famílias como TODOS podemos ser indivíduos brilhantes!

Clinica Viva Neuro